Mídia brasileira é sim, golpista e tem "apenas um lado" aponta estudos!



A controversa cobertura da crise política brasileira pelos maiores meios de comunicação do país está no alvo de críticas de especialistas e profissionais da mídia. Para os jornalistas ouvidos pela RFI, não há dúvidas sobre a parcialidade da cobertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff que, além de resultar na falta de credibilidade da informação, ameaça a própria democracia do Brasil.
“Alguns órgãos de comunicação, como a revista Veja e a Rede Globo, demonstraram um engajamento claro na defesa do impeachment, o que, em alguns momentos, transformou o jornalismo destes grupos em verdadeiros panfletos”, avalia o professor Dennis de Oliveira, chefe do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicação e Artes da USP (ECA-USP).
O país dos trinta Berlusconis
A parcialidade da grande mídia na cobertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff é algo que vem preocupando organizações que militam pela liberdade de imprensa, como a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF). 
Ao comentar a posição do Brasil no ranking de 2016, a ONG diz que o tratamento que os meios de comunicação deram à crise política no país mostra que “os principais meios convidaram sua audiência de maneira dissimulada a ajudar na queda da presidente Dilma Rousseff”.
“Percebemos uma clara distorção no tratamento da informação e uma falta de objetividade evidente que contribuíram para a polarização da sociedade”, diz o chefe do Departamento América Latina da RSF, Emmanuel Colombié. Para ele, é inegável que a cobertura da crise política pelas grande imprensa brasileira é direcionada à saída de Dilma Rousseff da presidência.
Jornalismo pode ser imparcial?
Ao contrário de boa parte dos veículos internacionais, como os grandes jornais franceses Le MondeLe Figaro e Libération, no Brasil, os grandes meios de comunicação ainda defendem a ideia de que fazem jornalismo imparcial. Um conceito inexistente, para o jornalista Carlos Castilho, do Observatório da Imprensa. 
“Não existe isenção absoluta no jornalismo. Castilho acredita que seja difícil desconstruir esse antigo discurso do jornalismo, que data de antes do advento da internet, no qual ouvir “os dois lados” de cada história era suficiente para justificar a objetividade. A falta de reflexão nas redações
Na semana passada, em editorial, o jornal francês Le Monde se questionou se sua cobertura sobre a crise na política brasileira estava apenas ecoando os principais jornais do Brasil. No Brasil, essa reflexão dentro das redações está longe de acontecer. 
Fora do espectro dos grandes grupos de comunicação, meios independentes parecem ser os únicos a marcarem sua posição, como explica a repórter Katia Passos, do Jornalistas Livres.
E afinal? Quem ganha "sendo contra o povo"? Tire suas conclusões!

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